sábado, 20 de maio de 2017

fade out









     fade out


     aos poucos e com moderação, vou desaparecendo.

     até que eu me perca nos achados das calçadas.

     e que a lembrança de mim seja apenas um suspiro alheio

     como quem tosse por causa da infusão da cidade.

Marcio Yonamine

domingo, 4 de dezembro de 2016

PERSONAGENS
































































































































terça-feira, 27 de setembro de 2016

A voz de meu pai




A voz de meu pai

Não me lembro da voz de meu pai.
Recordo-me de suas ideias, opiniões e crenças;
não de sua voz.

Se falava muito ou pouco
Se era categórico em suas afirmações
se sua voz era macia ou grave
não consigo me lembrar

me lembro de sua boa-vontade,
amizade e paciência
com minhas manias de adolescência.

De seus conselhos
sobre o trato com as meninas
para mim e para toda a molecada,
cujos pais não tinham tempo
ou coragem de tocar no assunto.

Seus eternos problemas financeiros
nunca impediram
que eu fosse ao cinema,
comprasse camisa-esporte
ou sapato marron.

Para eu me dar bem na vida,
deveria de ser engenheiro ou militar.
Tinha muitos amigos que o chamavam pelo sobrenome.

Lembro-me do retrato que fez de minha mãe
Perdido para sempre
no sótão da casa do interior.

Do seu corte de cabelo,
dos seus óculos,
do seu bigode,
das sopas com estranhos temperos
improvisadas depois do cansaço do dia.

De como assobiava no banheiro,
para eu despertar de manhã.
Mas do timbre de sua voz
já não me lembro mais.
16/02/2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

estupor





estupor


esse súbito não ter
   esse estúpido querer
     que me leva a duvidar
   quando eu devia crer

esse sentir-se cair
         quando não existe lugar
aonde se possa ir

   esse pegar ou largar
essa poesia vulgar
          que não me deixa mentir


Paulo Leminski

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Christo & Jeanne-Claude

http://twistedsifter.com/2016/06/floating-piers-by-christo-and-jeanne-claude-lake-iseo-italy/









segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Richard Diebenkorn's Sketchbooks





A Universidade de Stanford disponibilizou os sketchbooks do pintor 

Richard Diebenkorn (1922/1993) em:


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

para Alexis







Se


Se partires sem esclarecer as dúvidas,
Sem aviso, nem anúncio, sem hora marcada
Assim, de surpresa
Ficarei aqui, sem saber o seu nome, endereço ou RG
Sem saber o porquê

Se neste momento,
um avião passar
com ruído ensurdecedor
sem notar nem avaliar,
a perda destes anos.

E se, de repente, partires
Assim, sem se despedir
Antes que eu tenha acertado as contas

Perderei pra sempre a única chance que tive
de ouvir o teu piano
de apreciar os teus quadros,
teus cavalos amestrados.




para Alexis Weissenberg,
(pianista búlgaro morto em 2012, que quase vi tocar 
em Montpelier, em 1993. Ele cancelou.)